Adeus, Steve Jobs

por Pedro Bittencourt

Adeus, Steve Jobs

Faleceu ontem (05/10), aos 56 anos de idade, Steve Jobs, um dos fundadores da Apple, maior empresa de capital aberto do mundo. Sua morte foi divulgada no site da empresa por volta das 9 horas da noite.

Jobs enfrentava um câncer no pâncreas, diagnosticado em 2003, motivo que o deixou fisicamente muito debilitado nos últimos anos. Isto o levou a se afastar do cargo de CEO da empresa no dia 24 de agosto passado, deixando Tim Cook como seu sucessor. De fato, nos últimos meses Cook já estava participando ativamente das tomadas de decisões da empresa, enquanto Jobs se mantinha mais afastado para tratamentos médicos.

Sua morte já foi extensivamente noticiada internet afora, tanto nos meios diretamente ligados à tecnologia quanto nos principais portais de notícias. A revista Wired publicou uma bonita homenagem ao publicitário, coletando mensagens de diversas pessoas importantes, desde Mark Zuckerberg, fundador do facebook, até Barack Obama, presidente dos EUA. Fãs mundo afora já haviam planejado o Steve Jobs Day para o dia 14 de Outubro, antes de sua morte. E podemos ter certeza de que muitas outras homenagens ainda aparecerão nas próximas semanas.

É inegável a enorme contribuição de Jobs para o mundo da informática. Foi o responsável direto pela “criação” e popularização de produtos e serviços que hoje algumas pessoas veem como inevitáveis e insubstituíveis. Tanto que seus produtos não são chamados de mp3 players, smartphones ou tablets; são simplesmente iPods, iPhones e iPads, sendo automaticamente incorporados como sinônimos em nossos vocabulários. Não cabe a nós defender ou criticar a posição de lovers ou haters neste momento, pois somos da opinião de que toda espécie de extremismo é prejudicial à qualquer argumentação.

Ainda assim, apesar de não me considerar um fã convicto da empresa (nunca tive sequer um produto Apple, nem mesmo uma mísera maçãzinha de Newton), sou obrigado a admitir que seus produtos, como o próprio Jobs gostava de dizer, “simplesmente funcionavam”. Nada foi de fato inventado pela empresa, tudo já estava por aí. O que a Apple fez, o que Jobs fez, foi criar um novo conceito em cima da ideia em si, tornando os aparelhos (ou aplicativos, ou serviços) mais intuitivos a qualquer usuário. E, principalmente, vinculando aquele produto à marca, à empresa, fazendo com que todos os seus serviços estivessem integrados, conectados. De forma que o usuário dissesse simplesmente “eu tenho um Apple”.

Além de ter sido co-fundador da Apple, junto a Steve Wozniak, Jobs também fundou a Pixar Animation Studios em 1986, após comprá-la da LucasFilm. A companhia foi posteriormente comprada em 2006 pela Disney por uma bagatela de US$ 7,4 bilhões. Ou seja, de certa forma Jobs foi responsável também pela existência de incríveis sucessos como Toy StoryMonstros S.A. e Procurando Nemo, bem como da própria animação 3D em si. A respeito disto, vale a pena conferir o documentário The Pixar Story, que conta um pouco sobre os primeiros anos da empresa.

Sua morte deixa milhões de fãs órfãos e levemente perdidos, sem saber o que será da empresa nos próximos anos. Particularmente, creio que nem tudo está perdido; um dos grandes feitos de Jobs foi ter reunido uma equipe extremamente competente e centrada nos objetivos da empresa. A prova maior disto é o próprio Tim Cook, que vem se mostrando bastante capaz à frente do cargo de CEO e encarou de frente a [enorme] responsabilidade de manter vivo o legado de seu mentor. Só nos resta agora observar. E esperar. Porque certamente o mundo não será mais o mesmo.

Confira abaixo um discurso de Steve Jobs na universidade de Stanford, em 12 de Junho de 2005, largamente difundido pela internet.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=66f2yP7ehDs&w=600&h=437]